Pr. Nilson dos Santos Bastos – Um ministério frutífero.

Por Silvana Maria Machado Bastos

Conheci o pastor Nilson antes de ser consagrado ao ofício pastoral em 1989 no primeiro ano do curso de Bacharel em Teologia no Seminário Teológico Batista Nacional – SETEBAN. Éramos estudantes ávidos pela Palavra de Deus e trabalhadores evangelistas na periferia de São Luís.

Durante o curso de teologia começamos a namorar e trabalhávamos juntos na obra nos finais de semana. Inauguramos nesse ínterim duas igrejas: uma na Vila Operária e outra no Jardim Tropical.

Em 1992 nos graduamos em Teologia e aconteceu nossa formatura no Templo Central das Assembleias de Deus no centro de São Luís. No dia 16 de janeiro de 1993 noivamos em uma cerimônia simples na sala da casa da minha mãe com meia dúzia de pessoas presentes e marcamos logo o casamento para o dia 27 de março de 1993, na igreja que estávamos construindo em Jardim Tropical.

Lembro bem das aventuras que passávamos para chegar ao nosso campo missionário. O ônibus só ía até a Cidade Operária e de lá andávamos a pé por quase uma hora para chegar à igreja. No tempo de chuva era só lama, rios de lama, e no verão areal que enterrava o pé até a canela. Mas íamos alegres e ganhamos, nas duas igrejas umas 400 almas para Jesus.

No dia 27 de março casamos em meio a muita chuva torrencial na igreja do Jardim Tropical, nossos irmãos todos puderam ir ao nosso casamento, realizado pela fé, celebrado pelo Pastor  Ronald Carvalho, diretor do Seminário em que formamos.  Uma vez casados o então presbítero Nilson assumiu a obra na qual trabalhávamos e em 10 de julho de 1993 foi consagrado ao pastorado por um concílio de ministros da cidade e pastores do Rio de Janeiro da Assembleia de Deus do Brasil.

Em 1995 recebemos o convite do Pastor Silvio Antônio Guimarães Machado, meu irmão, para trabalharmos na Igreja Batista Nacional do Cohatrac – IBNC onde o mesmo era pastor recente. Fomos aceitos na Convenção Batista Nacional e nesse ano o ministério do Pr Nilson foi aprovado pela Ordem dos Ministros Batistas Nacionais – ORMIBAN do Maranhão, tendo que passar pela banca de exames e validado a consagração realizada na Assembleia de Deus.

Durante os quase 6 anos que trabalhamos no Cohatrac nasceram nossas duas mais fiéis colaboradoras de ministério Ana Celeste Machado Bastos (1998) e Grace Machado Bastos (1999) que nos acompanhavam em tudo sendo nossas companhias incondicionais.

O pastor Nilson foi  coopastor na IBNC até o ano de 2000, quando a igreja aderiu ao movimento G12 que havia chegado na cidade e espalhava-se nas igrejas e congregações. A incompatibilidade com a “visão G12” fez com que fossemos “convidados a sair” da IBNC, num processo muito dolorido e traumático que envolveu afastamento abrupto da igreja que já amávamos e perdas financeiras e ministeriais.

Em 2001 nos vimos “desigrejados”, num bairro novo, num apartamento bem pequeno, sem recursos financeiros apropriados para vivermos, o Pr Nilson afastado do trabalho secular por LES e sem o movimento dos braços, duas crianças pequenas de 1 e 2 anos, sem apoio familiar (pois todos nos renegaram por causa do G12 com o qual rompemos), mas com um casamento sólido e a certeza de ter assumido posição inegociável de defesa da Palavra de Deus como única regra de fé e prática para nosso ministério.

Nesse período o Evangelista TL Osbow esteve na cidade pregando o evangelho e testemunhando do seu ministério evangelístico na África, lembro bem quando falou: “o objetivo na África é abrirmos uma igreja em baixo de cada árvore com sombra!” e continuou, “e você aqui no Brasil? Porque não abre uma igreja em sua casa, sim,  lá onde mora?”. Nesse tempo morávamos no Condomínio de Apartamentos Novo Tempo II ao lado da Ceasa e nas imediações não haviam igrejas. As pessoas se deslocavam para locais distantes e senti Deus impulsionando para que no meu apartamento pequenino começássemos uma igreja.

No mesmo dia, o pr. Nilson em casa recebeu uma visita inesperada de uma profeta de Deus que ao orar batia os pés bem no meio de nossa sala/copa/escritório dizendo: “é bem aqui que quero minha igreja”. Naquele dia quando nos encontramos a noite nosso coração fervia no Espírito Santo, queimava, ardia a vontade de começar essa obra que Deus ordenara. Começamos a reunir alguns irmãos e em fevereiro de 2001 começamos os cultos no apartamento.

Logo nosso espaço não comportava o número de pessoas que congregávamos e passamos a fazer cultos na área externa do prédio. Depois conseguimos o auditório da CEASA para fazermos os cultos aos domingos. Quando não foi mais possível reunirmos no auditório alugamos um box da CEASA em meio às bananas e outras frutas. As pessoas achavam bem estranho congregarmos na CEASA, mas a obra crescia.

Depois de algum tempo conseguimos o auditório da Casa do Trabalhador, no retorno do Calhau, para os cultos de domingo. Era um local mais apresentável e adequado para o culto. Os problemas eram as incansáveis idas e vindas com todo equipamento de som e instrumentos que já possuíamos e isso no nosso carro particular, que já de muitos anos, rapidamente se deteriorava.

Em 2008 nós conseguimos alugar um salão no segundo piso do Posto Plaza ao lado da Dalcar no retorno do Calhau e lá ficamos até o ano de 2012. Nesse período o aluguel nos sufocava a cada ano que aumentava, por isso decidimos comprar um terreno para construirmos um local para adorar ao Senhor. Mesmo contra a vontade de muitos nos enveredamos pela fé no sonho de adquirir um terreno no Recanto do Vinhais e duas irmãs tiraram um empréstimos vultuoso em seus nomes para pagá-lo. O pastor Amadeu e congregação – Filipinho uniu-se a nós ministerialmente.

Em outubro de 2012 já sem condições de pagar o aluguel e as prestações do terreno, o pr. Nilson teve a brilhante ideia de construir uma tenda, que não fosse dispendiosa, e nos mudarmos para o local que havíamos adquirido. Daí iniciaram os incansáveis mutirões para a limpeza do terreno e os planos arquitetônicos para fazermos uma tenta agradável, forrada, climatizada e que fosse segura para os cultos sob o comando do Pr. Nilson.

Em pouco tempo estávamos na tenda cultuando ao Senhor. Livres de aluguel e no nosso local que Deus havia nos dado. Em 2010 concluímos o pagamento dos empréstimos sanado nossos compromissos com as irmãs que tão prontamente serviram à igreja. Começamos a construção das salas em anexo para funcionamento da parte administrativa da igreja e da EBD.

Em 2012 recebemos a família dos Pastores Zenaldo e Rúbia Oliveira, que providência de Deus para sua Igreja! O casal de pastores foi integrado ao ministério em 2013 e então tínhamos um colegiado pastoral em funcionamento. Já contávamos com a consagração dos pastores Paulo e Marlene Nassar com ministério voltado para Centro de Recuperação de dependentes químicos e tínhamos recebido o missionário Paulinho Glória a Deus com um trabalho evangelístico voltado aos presídios. Na área de missões transculturais apoiávamos na época a Miss Ana Silvia e família na Espanha.

Em 2013 fizemos um evangelismo pelo Dia das Crianças e um evento com lanche e brinquedos. Percorremos várias casas do entorno do Recanto do Vinhais das comunidades existentes. Em uma das casas deparamo-nos com uma verdadeira fábrica de “craque” improvisada em que as crianças da família faziam manualmente os pacotinhos com as pedras da droga. Realidade impactante que nos fez tomar uma decisão: tirar as crianças desse ambiente nocivo e das ruas.

Começamos então o IAPA – instituto Assistencial Palavra em Ação, utilizando as salas construídas, recebíamos as crianças matriculadas pela manhã na escola pública e ficávamos com elas por toda a tarde em um trabalho de reforço escolar, alfabetização, letramento, informática, esporte, recreação por meio da formação de valores cristãos e fornecendo algo muito necessário: alimentação. Começamos com 15 crianças, e hoje, depois de 5 anos, temos 60 crianças felizes e fora de uma realidade perversa. Um trabalho mantido pela IBNP e por voluntários amigos.

A igreja crescia em quantidade e qualidade a tenda já ficava superlotada e os ministérios se consolidando com uma liderança eficaz. Nossa Escola Bíblica Dominical funcionava (e funciona até hoje) a todo vapor sendo a segunda reunião da igreja mais frequentada por semana. Em 2016 adotamos o Missionário Jhony Amorin em missão na Bolívia e a seguir recebemos a família do Missionário Rogelho para integração na Igreja a obra missionária se expandia. Abrimos também duas novas congregações com seminaristas formados da igreja – uma no maiobão e outra no angelim. A seguir abrimos a primeira congregação no interior do Maranhão no município de Presidente Dutra e a obra expandia.

Em 2017 começamos com o projeto de construção do templo da IBNP. Sim, nossa tenda guerreira já havia passado por reformas mas sinalizava que não podíamos nos acomodar. Aprouve a Deus abençoar e iniciamos a construção. Deus levantou uma comissão de construção forte, líderes atuantes incansáveis nas campanhas e um povo disposto a ajudar.

Em setembro de 2018 pisamos na “nossa terra prometida” fizemos o primeiro culto no templo que Deus nos deu. Como é maravilhoso vermos cada promessa sendo cumprida em nossas vidas e na vida da nossa igreja. A cada dia vemos os milagres do Pai celeste, em cada vidraça, cada cadeira, cada rosto, cada família vemos o mover do Espírito Santo. Nossa história não acaba …se renova a cada manhã pois “o melhor de Drus ainda está por vir”.